Toda produção artística é um processo. Por vezes lento, por vezes doloroso, mas produzir e conseguir colocar um ponto final na obra é uma sensação indescritível. Ultimamente andei trabalhando em uma pintura acrílica para uma amiga, e me deparei com mais frustrações do que o normal. Minha falta de prática com pintura (fazia muitos anos que não pintava) me deu várias voadoras, e acabei esbarrando com várias questões que me incomodaram muito. Uma delas é o fato de ser daltônico, e isso me impede de conseguir perceber tonalidades e de clarear/escurecer cores. O daltonismo para mim nunca foi um problema, aceito muito bem essa deficiência e não me importo com essa questão quando produzo algo meu, que tem a ver comigo e que eu nem sei se será comercializado. Porém, foi uma questão bem pesada ao trabalhar nessa pintura, encomendada por esta amiga. Detalhes pequenos, que deveriam ser feitos trabalhando diferentes tonalidades da mesma cor, acabaram sendo deixados de lado. Foi uma alternativa na qual optei para não atrapalhar as imagens. Sombras e luzes de personagens e de cenas foram ignoradas e ficaram apenas símbolos e características onde se consegue perceber o que está acontecendo, porém sem muitos detalhes. Isso nunca me incomodou como incomodou nesta situação. Esbarrei em uma limitação genética, onde não consegui achar outras alternativas para resolução destas questões. Decidi colocar um ponto final pois não há onde mexer de forma que não atrapalhe todo o resto. Tive uma professora de pintura há 7 anos atrás que dizia que nós artistas deveríamos colocar um ponto final, antes de mexer demais e ter que resolver outras questões que antes não existiam. Eu nunca sei quando colocar esse ponto final, pois para mim sempre há algo em que eu devo mexer mais, talvez por isso eu Não possuo pinturas minhas em casa, pois me dá vontade de alterar todo o tempo. Ter colocado um ponto final nesse processo foi doloroso, minhas questões com a deficiência de enxergar cores e de não conseguir compreender com quais tonalidades estou trabalhando me incomodaram muito, pela primeira vez na vida. Mas acho que é melhor finalizar como está, e deixar o tempo cicatrizar essas questões antes de partir para a próxima.
Sobre dedicação à madeira
Uma das coisas que tenho sentido um pouco de falta nesses dias é o trabalho de entalhe na madeira. Produzir xilogravuras é algo que me agrada muito, e nesses tempos de pandemia, onde estou prestando muitos serviços, sobretudo, de serigrafia, tenho me dedicado pouco à xilogravura. Tenho planejado algumas aulas relacionadas a esta técnica, porém me falta tempo de planejamento. Isso sem contar os vários projetos que eu tenho, mas que ainda não pude executar.
Comecei a fazer uma série de xilogravuras que relaciona a música com o ativismo, porém não terminei e nem cheguei a imprimir a primeira matriz da série. Também pretendia criar vários cartazes em xilogravura destinados ao ambientes urbano, para intervir em diversos locais, mas também nem comecei as impressões.
Sobre o tema de imigração e a treta das fronteiras, tenho trabalhado em uma matriz de xilo utilizando a música “Cruzando la Frontera“do grupo de cumbia chamado “Fuga”. A primeira matriz, feita em pau-marfim, já está pronta, mas ainda falta a segunda matriz, que será feita em linóleo, e, da mesma forma que tudo que eu planejei fazer nessa pandemia, não tive tempo de dar continuidade.
Bom, de qualquer forma, acho que esse registro vale a pena, se o blog foi criado para colocar minhas questões profissionais e meus desejos em relação à isso, acho que estou no caminho certo. No mais, se tudo der certo, teremos muitas novidades com essa técnica.
Várias fases distintas
Em 2010 eu decidi ser artista. E isso implicou em diversos momentos de (mais) incertezas em relação às coisas que eu faço. 10 anos já se passaram e eu ainda sigo com dúvidas se sou artista. Nesse meio tempo eu estudei em 4 universidades (2 como intercambista), completei trocentas disciplinas, conheci muita gente, produzi muita coisa, e hoje me vejo com muito mais dúvidas em relação a essa escolha profissional. Eu, literalmente, amo produzir arte. Faço pinturas, gravuras, murais, ilustrações, estampas com um gosto e uma disposição que deixa muita gente impressionada. Mas não gosto de ser artista. Não gosto dessa obrigação bizarra de ter que transformar tudo o que faço em retorno financeiro. Acho que é até por isso que me dá vontade de largar essa produção autoral e tentar viver apenas de prestação de serviços. Produzir de forma comercial é um saco, é massante e tira todo o prazer de produzir. Isso me deixa deprimido, me faz questionar todo o tempo o que faço no meu atelier. Eu não consigo viver do que produzo (e, aparentemente, nunca conseguirei). É uma angústia terrível viver assim e não me encontrar nesse meio. Eu não tenho muita paciência para alguns tipos de eventos artísticos e seguramente não me vejo participando da maioria deles. Eu fico querendo mudar de área, conseguir trabalho fixo em algum local, mas também não dou certo tendo que cumprir esses horários e regras malucas das empresas.
Enfim, estou de saco cheio de ter que transformar minha produção autoral em dinheiro. E muitas vezes eu tenho certeza que estou muito aquém, em relação à outros artistas, quando presto serviço para terceiros. Eu queria dar um reset em tudo e poder fazer escolhas com mais calma, mas os compromissos da vida, contas, covid, não me deixam sair desse lugar. 2020 chegou de voadora em vários planos que eu tinha, nocauteou muito do meu ânimo, e eu sigo aqui no mesmo caminho que não me agrada.
Foi só um desabafo mesmo.
Tatuagem da velha escola
Não é nenhum segredo o fato de que as tattoos estilo Old School são as que mais me agradam. É incrível o fato do artista sintetizar vários elementos em traços, sobras e coloridos simples. Claro que existem diferentes níveis de detalhamentos, e cada artista acaba colocando características próprias nas suas criações, mas isso não deixa de ter um papel especial no meu gosto por tatuagens. O estilo Old School, também conhecido como tradicional americano, teve sua origem com o lendário artista Saylor Jerry que, alistado na Marina dos Estados Unidos, teve contato com as tatuagens orientais e após a sua “aposentadoria” passou a tatuar os próprios marinheiros no Hawaii, com temáticas presentes na vida destes e com equipamentos e cores que haviam disponíveis na época. Hoje é um estilo muito disseminado, com várias ramificações, mas o tatuador que trabalha com Old School sabe muito bem porque o faz, e deveria conhecer bem sua história e como fazer bem feito.
Essa ilustração é uma homenagem a esse primórdio das tatuagens tradicionais ocidentais, representando a vida dos marinheiros (que eu boto muita fé, apesar de ser contra o militarismo e as forças armadas). O pôster impresso em alta resolução pode ser adquirido na Loja Online.

Pintura digital
Esses dias comecei a fazer uma composição em perspectiva para mostrar em uma de minhas aulas de desenho virtuais como funciona o processo. Eu gostei tanto da composição que decidi continuar desenhando, transformando o que era um esboço em uma pintura digital, feito com o aplicativo Pro Create. A imagem foi produzida com registros manuais ou no “olhômetro”, portanto, as linhas tortas ou côncavas se fazem presentes. Utilizar de proporções matemáticas e exatas não foi uma solução na qual eu quis trabalhar.

Foi bem massa esse processo mais longo de um meio digital, tentei fazer detalhes bem minuciosos, trazer elementos das cidades grandes, graffitis, pixações, stickers, edifícios, propagandas, antenas, etc. O processo de desenho e pintura foi bem longo mesmo, e logo após o esboço, eu comecei a aula de desenho, para algumas explicações sobre o processo. O time-lapse do vídeo pode ser visto no link abaixo.
Marshall “Major” Taylor

Essa ilustração foi feita para homenagear o grandioso ciclista Marshall Taylor (Major Taylor), que conseguiu bastante notoriedade nas provas mais duras do ciclismo na época, enfrentou e combateu o racismo estrutural (apartheid) existente na época, e conseguiu registrar seu nome na história tanto do esporte quanto na do movimento negro. Um exemplo a ser seguido e admirado. O racismo não acabou. No esporte, tanto amador como profissional, vemos casos de racismo até mesmo entre integrantes da mesma equipe. Em 1896, Major Taylor foi expulso das competições de ciclismo em Indiana, USA, por obter mais vitórias e melhor desempenho que os atletas brancos. Pouco mais de 100 anos se passaram, e ainda vemos casos de situações similares.
Capas de The Smiths

Revisitando antigas pinturas, não me lembro muito bem de quando essas foram produzidas. São reproduções de capas de álbum da banda The Smiths. Todas feitas com tintas acrílicas em painel de 20x20cm. Esses formatos pequenos me agradam bastante, sobretudo para treinar técnicas. Essa série de 4 pinturinhas estão todas na casa da minha irmã, que é fã de Smiths e Morrissey.
Conversando sobre processos e seus tempos
Eu sou uma pessoa lenta para a maioria dos projetos que eu começo a produzir. Conseguir terminar um quadro é um custo, e eu exerço toda a paciência do mundo para conseguir lidar com a tinta acrílica, espero secar, crio efeitos, e esse processo às vezes se alastra por meses, sobretudo se for uma pintura grande. Neste exato momento estou trabalhando com um painel de 110×70 cm, e enquanto esperava as aguadas secarem, pintei 3 quadros menores, de 20×20 cm.
Com gravura é a mesma coisa. Tardo muitos dias/semanas/meses para conseguir terminar uma gravação de uma matriz na madeira. O processo xilográfico para mim é bem lento, com muita concentração. Já demorei quase 1 ano para fazer uma única gravação, pois ficava dias sem dar continuação ao processo da cavucada.
Agora, me impressiona o o quanto sou rápido com gravação em linóleo e com pintura em aquarela. Não sei se são boas habilidades ou falta de paciência, rs, talvez uma mistura dos dois. Para o linóleo eu penso que é um material mais tranquilo de se trabalhar, que dá possibilidades mais objetivas. Para a aquarela, penso que é um conhecimento muito superficial que ainda tenho sobre a técnica, e talvez uma falta de paciência também. Minha migs Prisca Paes sempre diz que devemos ter paciência com a aquarela, seu tempo de secagem, sua forma de trabalho, e eu fico pensando porque eu insisto em tentar fazer rápido.
Coisas da vida de um artista, difícil explicar esses métodos. Mais fácil tentar exercitar novos hábitos de produção. Dar mais tempo ao tempo (muito clichê, mas tudo a ver).
Cansei do Coronavírus
Eu estou lidando muito mal com essa ideia que ficou conhecida como “o novo normal”. Usar máscara o tempo todo, seguir evitando aglomerações, não trombar com ninguém… Ahhhhhh. Que desespero essa situação. Já levamos 1 semestre de isolamento, paranóias, fake news e políticas incapazes de ajudar em algo. Brasil já passou dos 100.000 mortos, BH recém chegou aos 1.000 óbitos registrados (porque sabemos que os números são maiores), e não há previsões para o fim. Pode ser que hajam novas ondas, que retomemos isolamentos mais severos, e ainda tem muita história para acontecer nesse capítulo pandêmico.
Os médicos que ajudaram a combater a praga da Gripe Espanhola há 100 anos atrás possuíam várias teorias sobre a pandemia. As pessoas eram contaminadas pelo cheiro putrefato no imaginário popular e científico. A vestimenta dos médicos incluía uma máscara feita de madeira, com ervas na região do nariz, da respiração, para evitar o mau cheiro dos cadáveres. Durante, pelo menos, três anos a Gripe Espanhola seguiu ativa, contaminando e matando uma renca de gente através do globo. Minhas saudações à todos que ajudaram a combatê-la na época, e minhas saudações àqueles que tentam combater o Covid-19 hoje. Esse desenho é uma singela homenagem.
Revisitando pinturas

Andei dando uma olhada em pinturas que eu fiz há alguns anos. Fiquei muito tempo sem pintar, e durante a quarentena topei o desafio de agilizar alguns corres de pinturas. Essa é de 2014 ou 2015, não me lembro.
É impressionante o quanto alguns temas aparecem com frequência no que eu produzo. Muitas temáticas latinoamericanas, povos oprimidos, povos originários, lutas e movimentos sociais.
É algo que eu gosto de representar, e sei que há pessoas que se identificam comigo nessas temáticas.
Vejo essas pinturas de outrora e fico pensando nas coisas que poderia melhorar, nas técnicas que eu desenvolvi mais, no que faria diferente. É muito louco isso, né? Como as concepções alteram cada vez que você revisita algo.
Pinturas com acrílica
Aproveitando 3 telas de pinturas pequenas, de 20×20 cm, e várias fotos que tirei a partir de edifícios altos no Centro de BH, finalmente retomei minhas habilidades de pintar com tinta acrílica.
A ideia é representar essa cena comum na paisagem urbana Belorizontina, onde topos de prédios (rooftops) levam os nomes daqueles que ousaram escrever por ali, juntamente com essas antenas, emissoras e receptores das diferentes frequências oriundas de sinais diversos.



As pinturas podem ser adquiridas através da nossa Loja Online. O vídeo com parte do processo de produção de uma das pinturas pode ser visto a seguir. Saludos!
Sobre concluir as coisas que começo
Já tem um tempo que eu ando em uma bad produtiva. É uma sensação estranha, não dá vontade de produzir nada e eu acabei entrando em um looping de procrastinação de um nível absurdo. Ontem eu fiquei pensando sobre essa bad produtiva, e imaginei que ela é causada pelo medo. Não digo medo de algo concreto, nem medo de filmes de terror, mas é um medo de começar algo. Como assim?
Nessas últimas semanas eu fiquei com vários trabalhos sem conclusão. Não conseguia terminar, e a maioria eu custei para começar. Parece bobo dizer essas coisas, mas é uma questão que me atinge diretamente. Esse medo de começar ou continuar algo passa por uma ansiedade devida à falta de perspectiva (eu acho) no campo profissional. Já tem um tempo que ando buscando outras formas de ganhar dinheiro porque apenas como artista eu já entendi que não rola, pelo menos por enquanto. Andei buscando outras áreas pra me dedicar e conseguir colocar em prática meu conhecimento de vários campos, mas esse medo estranho me deixou meio paralisado, sem ganas de começar qualquer processo.
Hoje de manhã, enquanto dava aula online de desenho para um aluno/amigo, conversamos sobre processos, e sobre a importância de concluir as coisas. Eu olhei para o meu atelier, enxerguei 4 pinturas inacabadas, vários post-its de projetos/trabalhos faltando conclusão e alguns testes de impressão serigráfica na fila, apenas esperando a minha boa vontade.
Depois do almoço eu decidi que iria prosseguir com os trabalhos em andamento, mesmo sem vontade e sem disposição. Foi tiro e queda. Em uma tarde muito produtiva eu consegui dar continuidade à pintura grande (110×70 cm), e concluí 3 pinturas pequenas (20×20 cm). Além disso, concluí um projeto de estampa que vai virar camisa e pôster em breve e agora estou animado para lavar a pilha de louça suja que se acumulou na pia.
Vim aqui escrever isso porque só bastava 1 comentário pra me fazer refletir sobre esse medo bizarro e estranho de dar continuidade aos projetos. Justo eu, que prezo pelo processo muito mais que pelo resultado, me encontrei travado nesse mar de dúvidas.
E que importância teve essa ação de conclusão. Um dia muito produtivo.
Somatizando problemas
Nos últimos dias eu andei trabalhando para uma empresa, em caráter de teste mas com a ideia de ser contratado. Não tem nada a ver com as minhas habituais ocupações, mas eu estava disposto a isso em troca de um salário fixo, CLT, essas coisas.
Depois de quase 13 anos sem trabalhar formalmente, eu tinha esquecido de como é esse ambiente, em estar dentro de uma empresa e responder a demanda dela. Eu admiro muito quem veste a camisa da empresa e defende com unhas e dentes o seu empregador, mas é algo que, definitivamente, não é para mim. Talvez se fosse algo na área de arte/educação eu poderia defender e me orgulhar, ainda mais se for algo em que eu acredito que possam surgir/sugerir mudanças na sociedade, mas o local em que eu estou agora é uma empresa comum, com suas burocracias, métodos e bizarrices a pleno.
Depois de poucas dias de trabalho já estou somatizando várias questões. Minha bunda anda bem dolorida, pois no local eu não posso sentar-me, e ficar em pé tem me dado dores nas pernas e na região do tronco. O stress me deu uma dor debaixo do peito e palpitações só de lembrar das demandas do trabalho. E só de ouvir notificações de celular já estou surtando e dando uns piripaques. Isso não é legal. Tenho dormido mal, me alimentado mal (o almoço que eles oferecem é terrível) e me sentido mal o tempo todo. Volto pra casa cansado demais para qualquer tarefa, com o corpo dolorido e indisposição. Fazia muitos anos que eu não me sentia assim. Me incomoda muito ver as relações/explorações de trabalho a que as pessoas estão sujeitas, políticas empresariais, hierarquias…
Enfim, voltarei à minha vida de artista. Posso não conseguir rendimentos suficientes, mas é aqui onde me sinto bem, onde sei que posso fazer algo diferente, onde minhas relações/redes me agradam, onde eu posso correr atrás dos meus objetivos.
Vida longa à autonomia!
20 de agosto
Hoje eu saí com o cachorro para dar uma volta no quarteirão. Esqueci de usar máscara. Você não tem noção do tamanho do constrangimento que eu fiquei, mesmo não tendo ninguém na rua.
Prestação de serviços em serigrafia
Durante a quarentena tive a oportunidade de trabalhar como impressor serígrafo para dois artistas. Na real, os trabalhos eram para ser entregues antes da pandemia, mas o isolamento acabou atrapalhando um pouco meu processo.
O primeiro trabalho foi para o artista André Nicolau, que me procurou para fazer impressões de suas ilustrações, e parte foi para o Projeto Arte Pela Cesta, que trocava cestas básicas por arte e ajudava pessoas e comunidades em situação de carência e vulnerabilidade. A arte em si tava bem massa, a gravação ficou muito boa, mas eu tive um pouco de dificuldade com a mistura de cores pra poder imprimir, rs. Daniel de Carvalho, Natália e o próprio artista André Nicolau me auxiliaram nessa fabricação. O processo em time lapse bem como o resultado pode ser conferido no vídeo a seguir.
Por intermédio do Ricardo Reis Erre Erre, fiz essa impressão em três cores com a ilustração de B. Perini. Essa foi um desafio um pouco maior, pois tive que fazer alterações manuais no laser film que estava causando diferenças tonais e marcas que não deveriam haver. Filmes corrigidos, telas gravadas e 150 cópias em 3 cores (450 impressões, ufa). O processo em time lapse e o resultado da impressão pode ser conferido no vídeo a seguir.
Encontrei mais fotos do km 27
Depois de haver escrito o post anterior, fiquei buscando mais fotos destes dias de pintura. Consegui encontrar mais algumas fotos. Lembrando que o Centro Comunitário do km 27 ficava bem próximo de uma Casa, religiosa, que cuidava de várias crianças abandonadas e órfãs. Foi outro local que pintei. Apesar de não ser nada religioso, não me importei em pitar um Jesus Cristo e um escrito “Jesus” no muro externo da Casa. Ao que parecia, e não me lembro muito bem, o trabalho que eles faziam era bem daora.
O representante do projeto Jóvenes en Acción, Adán, foi o contato pra fazer essas pinturas. Foi por causa dele que eu participei do concurso, e foi por causa dele que fomos pintar esses murais nesse bairro longínquo.
Em Ciudad Juárez tive contato com muitas experiências interessantes, projetos incríveis, que tenta correr atrás do tempo perdido nessa onda de violência. Imagina que há muuuitos anos atrás existia uma cidade mexicana chama Paso del Norte, que ficava no meio do deserto e era um local de passagem e pousada para quem viajava ao norte ou ao Pacífico. Nos meados do século XIX os Estados Unidos tomou grande parte do território mexicano, e a cidade foi, literalmente, divida em duas, tendo o Rio Bravo, que antes cortava a cidade, como novo marco delimitador de fronteira internacional. Hoje, temos de um lado Ciudad Juárez (que durante muitos anos ganhou o título de cidade mais violenta do mundo fora de zona de guerra), e do outro lado do rio temos El Paso (a cidade mais segura dos estados Unidos). Grande contradição, não é?
Paz para los niños
Em 2012 eu fiz 3 murais enquanto estava de passagem por Ciudad Juárez, Chiuhuahua, México. O primeiro foi em uma “competição” com o tema da cidade, onde eu participei para dar visibilidade a um projeto social que um amigo, Oscar Israel, participava. Ali conheci várias outras pessoas, e consegui um terceiro lugar, que me animou muito, pois meu prêmio, em teoria seria uma viagem à Grécia para estudar graffiti. Infelizmente não pude receber o devido prêmio. Logo após, pintei mais dois murais com esse projeto, chamado Jóvenes en Acción, ambos em Centros Culturais na periferia da cidade.

Vale lembrar que Cd. Juárez possui uma história marcada pela violência militar, pela violência do narcotráfico, pelo feminicídio, pela violência de gênero, pela exploração do trabalho e vários outros problemas sociais e econômicos. Em 2012 houve um período relativamente pacífico para a cidade, com a reabertura de vários bares, a retomada da vida social, mas as pessoas ainda tinham medo de ir para as ruas, tinham muitas histórias de abusos e casos de violências, e muitos imigrantes chegavam para tentar passar para o outro lado da fronteira, onde se encontrava os Estados Unidos. Era uma cidade muito diferente de tudo que eu podia imaginar.

Os dois murais que pintei depois da competição foram em um local conhecido pela extrema pobreza, falta de recursos urbanos básicos, forte influência dos narcos. Conhecido como Kilómetro 27 (eu acho que era isso, a memória anda falhando), era um bairro periférico completamente afastado da cidade, ruas de areia por causa do deserto, construções beeem simples, seguindo o curso da autopista que passava pelo local. Existem poucas fotos destes dias, pois câmeras digitais não eram tão comuns na época, e nem nuvem virtual, muita coisa se perdeu nos arquivos da matrix.

O que rola é que essas experiências em um local como esse não poderia ter uma temática diferente. Crescer em um ambiente de violência é ruim e cruel com todos os atores familiares. Crescer sem perspectiva, compreendendo que a única realidade é aquela, não deveria nem ser uma possibilidade. Hoje me lembrei desses dias de sol e areia, nesse deserto imenso e ambíguo que é Cd. Juárez. Mas não ache que aqui no Brasil seja diferente, pois não é.

Em Juárez era bem difícil pintar. O spray era tipo um X-Row (dazantigas), com uma consistência estranha, com a válvula muito dura e o vento do deserto impossibilitava muito fazer os esfumaçados. Era sempre um desafio. Mas vale a pena tentar, sempre. E o principal é a mensagem que fica: PAZ PARA AS CRIANÇAS. PAZ!
Sobre literatura
Se tem um lugar onde consigo fugir dessa bad que é o isolamento social em meio à pandemia, é a literatura. Ali consigo fugir dessa depressão que é “ser artista” e não conseguir manter a renda proveniente disso. Na literatura eu viajo longe, conhecendo e refletindo sobre assuntos cujo incômodo me fazem crescer.
Aqui irei falar um pouco sobre os 4 livros que já lemos e discutimos coletivamente no Clube do Livro, e de algumas leituras que fiz por interesse próprio durante esse período nebuloso.
Obras do Clube do Livro:
A Jangada – Júlio Verne: Essa é uma história estranha, escrita em fascículos para algum jornal francês, em que o autor se baseou em relatos de viajantes e pesquisadores sobre a Amazônia para criar um livro fantástico sobre uma viagem de jangada pelo Rio Amazonas. O livro possui uma narrativa meio bizarra, que parece ficar enchendo linguiça para seu desfecho e com motivações machistas, sexistas, patriarcais e de classe, ignorando conflitos sociais e ambientais e fazendo parecer que tudo é uma maravilha. Posso ser anacrônico ao afirmar essas coisas, mas é um livro que deixou muito a desejar.
A Guerra Não Tem Rosto de Mulher – Svetlana Aleksiévitch: Um conjunto de entrevistas e relatos sobre a participação das mulheres soviéticas durante a segunda guerra mundial. Um livro incrível, onde compreende-se muito do que eram os bastidores da segunda grande guerra do século passado. Quais eram os papéis das mulheres, o que elas passaram, o que fizeram, narrativas que trazem os sentimentos e as emoções, para além do que a história consegue contar.
Léxico Familiar – Natália Ginzburg: Um livro interessante, por vezes massante, onde a autora narra a história de sua família na Itália, sempre em primeira pessoa, como se ela estivesse em uma mesa de bar contando das coisas para você. Apesar da história ser interessante, parece que falta mais detalhes sobre como o fascismo italiano passou por eles, pois acho que faltou uma narrativa das emoções e conflitos que têm a ver com a história, de como atinge a família, etc. Realmente parece um relato de bar, onde a pessoa não te permite interromper para comentar algo. É uma obra razoável, mas não leria de novo.
Kindred, laços de sangue – Octavia Butler: Uma ficção científica fenomenal, onde a sensação de angústia fica aparente, e você não consegue parar de ler porque quer saber o que irá suceder em cada parte do livro. Vale muito a pena a leitura, traz várias discussões importantíssimas sobre anacronismo, movimento negro, escravidão, privilégio branco, educação, relações familiares.
Obras que li por conta própria:
O Livro dos Abraços – Eduardo Galeano: Como sempre, uma obra interessantíssimas com relatos de situações curiosas, de esperanças, de relações, que trazem um pouco de bons sentimentos, sobretudo nessa época. São pequenos trechos de narrativas sobre situações históricas/cotidianas, que nos fazem refletir sobra nossas ações.
As Últimas Testemunhas – Svetlana Aleksiévitch: Seguindo a mesma linha do livro da autora citado acima, eu o li logo após acabar com o outro. Desta vez, são relatos de adultos, que na época da segunda guerra ainda eram crianças, e a forma como eles compreendiam as situações. O que eles lembram dos adultos falando, qual o significado da guerra, o que acontecia, qual compreensão eles tinham das coisas, o que se passava na cabeça deles. São relatos incríveis e que vale a pena cada linha de texto.
Os Despossuídos – Úrsula Le Guin: Talvez o melhor livro que li até agora. É uma narrativa de um cientista de Anarres que voa de volta para Urrás, e a todo tempo nos são apresentados as ideias de novos mundos, seja baseado no anarquismo, socialismo, capitalismo, como é/como pode ser a vida, coletividade/individualidade, e essa ambiguidade e antagonismo de ideias. Apesar de possuir uma leitura muuuuuito densa, por vezes cansativa, não consegui parar de ler. O livro me prendeu a ponto deu ficar viajando no que eu poderia fazer com essas ideias que o livro me deu. Vida longa a Anarres!
Capitães da Areia – Jorge Amado: Foi o primeiro livro que li nesse período de quarentena. Uma obra interessantíssima, que me questionou o porque da leitura tão tardia deste livro. Talvez a viagem que eu fiz pra Salvador no final do ano passado tenha me ajudado muito com o imaginário da narrativa, e eu fiquei muito empolgado a cada página. Compreender sobre vários tipos de relações pessoais, profissionais, bicos, locais de moradia, preconceitos, lutas/movimentos sociais, resistências… são muitos os tópicos que podem ser debatidos com essa leitura. Recomendo muito.
Eu Sei Porque o Pássaro Canta na Gaiola – Maya Angelou: Um relato autobiográfico com uma intensidade absurda de detalhes. Tudo que Maya passou com sua família, suas relações pessoais, abusos, mudanças, modos de vida. Também um dos melhores livros que li nesta época.
A Noite dos Mortos Vivos/A Volta dos Mortos Vivos – John Russo: Livros com os roteiros originais dos filmes, adaptados para a literatura. A principal diferença para os filmes do George Romero, é que nos livros são narradas as sensações e sentimentos dos personagens, trazendo uma agonia, uma angústia, um desespero que não se consegue perceber nos filmes. É uma ótima leitura também.
Se Você Gostou da Escola, Vai Adorar Trabalhar – Irvine Welsh: Esta obra, que eu ainda não terminei de ler, traz alguns pequenos contos que beiram o bizarro, que narra situações e pequenas histórias com pessoas de personalidades nada comuns. Estou na última e mais longa narrativa, mas é um livro ok, se você curte bizarrices ao estilo Bukowski, Welsh e Palahniuk, cê vai curtir.
Eu aluno e eu professor.
Nesses tempos de estudo sobre o que é uma educação, o papel da escola e o papel do professor, fiquei tentando trazer um pouco sobre o tipo de aluno que eu fui, tanto no ensino básico como no ensino superior. Foram vários momentos estranhos e ser professor/educador/mediador nunca esteve nos meus planos. Onde foi essa reviravolta?
Durante a minha juventude, fui um aluno que foi do 8 ao 80 em 8 anos. Até a 5ª série eu fui um ótimo aluno. Estudava em casa, fazia os deveres, tirava notas boas e até me lembro de ter ganhado uma medalha de “Melhor Aluno em Geografia” na EM Arthur Versiani Veloso. Me lembro também de ter que ler minha redação para toda turma na 4ª série da EM Dom Jaime de Barros Câmara. Na 6ª e 7ª séries eu já não me interessava muito pelos estudos, comecei a “matar” muitas aulas e a jogar truco com meus colegas, e minhas notas caíram drasticamente. Na 8ª série eu nem consigo lembrar muito bem o que eu fazia na escola. No ensino médio, estudei o 1º e o 2º ano no Colégio Municipal Marconi, que era uma referência em bons colégios em Belo Horizonte. Na época eu já era punk e foi um local onde fiz poucos amigos. Me lembro que no turno noturno haviam apenas 3 horários, não havia educação física, nem artes, e era um colégio legal, em que os professores tinham suas próprias salas, equipadas com laboratórios, e os alunos é que mudavam de sala a cada sinal. Eu estudava no turno noturno, junto com pessoas um pouco mais velhas, e eu dividia o meu tempo diário pegando alguns bicos de trabalho, tempo na rua com alguns amigos e nada de estudos. Todo esse período de educação durou uns 10 anos, e eu só cheguei ao final do ensino médio porque no ensino municipal funcionava um sistema chamado Escola Plural, em que não havia repetência por nota, apenas por faltas. Portanto, bastava apenas frequentar as aulas (ou responder chamada e ir embora) que a situação estava completamente tranquila.
No 3º ano eu fui para rede privada, pois o vestibular se aproximava e assim eu teria mais chances de ingressar em uma universidade. Entrei em um local estranho, onde custei a me adaptar (e até hoje tenho minhas dúvidas sobre isso), não conseguia acompanhar meus colegas de sala, e eu lembro de ver minha redação exposta no projetor como “pior redação da sala/como não fazer”. Foi um local onde fiz pouquíssimos amigos e minha interação era com uma amiga que eu tinha feito nos rolés há mais tempo e que estudava no 2º ano, e com alguns amigos que faziam Cursinho no mesmo horário. A interação que eu tinha era basicamente isso. Consegui ficar de recuperação em todos os bimestres, em diversas matérias e até hoje eu não entendi o milagre deu conseguir me formar. Com certeza “fui passado” por professores que eu imagino que tenham entendido a minha situação, mas não tenho certeza.
Depois de me formar, logo consegui emprego de carteira assinada e passei, pelo menos, 2 anos nessa rotina de passar o dia trabalhando em “empregos de merda” e estudando cursinho a noite. Tentei vestibular para Comunicação Social, Educação Física (2x), Design Gráfico, Geografia (3x) e depois de 4 anos formado eu entrei no curso de Geografia em uma faculdade privada. Durou apenas um semestre. Não achei justo pagar para estudar e o curso me pareceu um pouco burocrático também. Nesse tempo eu comecei a pintar camisas com stencil, e algumas pessoas me incentivaram a fazer um curso de artes. Foi quando eu peguei algumas aulas de desenho com alguns amigos e, estudando por conta própria, consegui passar no vestibular da UEMG, em 2011. Fui estudar Artes Plásticas.
Nesse tempo, entre o final de 2005 e o início de 2011 muita coisa mudou na minha vida. Eu andava já bem desanimado com o punk e com as ideias, comecei a caminhar por um trajeto meio estranho, mas tive meu primeiro contato com as ideias zapatistas e com o EZLN, e acho que esse foi meu ponto chave. Passei a ler muita coisa e a buscar informações sobre o movimento. Descobri uma literatura toda voltada para isso, aprendi o prazer da leitura e isso me ajudou muito a chegar em algum lugar, a tomar decisões, e a começar a traçar algum rumo. Em 2008, quando comecei a namorar com a Natália, nossos interesses eram comuns, e juntos compartilhávamos ideias, livros, filmes, música, e nesse período tive um crescimento pessoal enorme. Finalmente conseguia participar de alguma discussão, ser coerente com as ideias, ou ser incoerente e tentar reconstruí-la. Em 2012, quando fomos de intercâmbio para o México, minha mente se expandiu muito mais. Viver 4 meses em uma cidade marcada pela violência e pela corrupção, e ter contato direto com pessoas que resistem diariamente nesse contexto produzindo arte, música, política, ideias, me exerceram muita influência e eu consegui voltar para o Brasil com as ideias renovadas. Chegamos em BH, produzimos muitas coisas contra a Copa do Mundo e os Despejos, tivemos contato com o COPAC, fizemos vídeos para mandar para o exterior, praticamos muitas técnicas e ideias. Foi um momento de alta produtividade.
Em 2013, de transferência para a UFMG, tive contato com a educação, e minhas primeiras experiências em gravura depois das que tive no México. Já possuía bastante noção, mas na Casa da Gravura foi onde consegui compreender a interdisciplinaridade que está contida em cada tarefa que praticamos. Aprendi muito sobre química, física, biologia, matemática, educação física somente produzindo gravuras. Nas artes, aprendi um pouco sobre filosofia, sociologia, estética, história, geografia… Foi na prática dos afazeres que comecei a me interessar por estudar diferentes áreas, pois conseguia relacionar várias áreas de conhecimento em apenas uma tarefa.
Pouco tempo depois comecei a treinar rugby. Não comecei a me exercitar do zero, pois já pedalava e fui para o rugby porque a Natália se interessou primeiro. No início eu ficava muito perdido, mas passei a estudar os documentos oficiais da World Rugby e os estudos sobre as funções dos atletas. Boom. Descobri um novo mundo. Estudando rugby eu aprendi sobre alimentação, anatomia, respiração, potência (vários tópicos da educação física) e sobre física. A física está muito presente no rugby. Desde a forma como você passa ou chuta a bola, a forma como corre e a forma como deve ser um contato entre adversários. Me interessei pelas regras do jogo e acabei me tornando árbitro pela Federação Mineira. É impressionante como todas as áreas de conhecimento se conectam em nossos afazeres diários. Passei a contrair o abdômen nas tarefas mais comuns, como lavar louça, e isso me ajudou a ter mais equilíbrio para pedalar, e mais força para estabilizar exercícios isométricos. Contrair o abdômen e compreender os movimentos musculares e de respiração me fizeram produzir litografias com muito menos cansaço e muito mais precisão ao trabalhar na prensa.
Foi com essas informações que passei 2 anos sendo monitor no Atelier de Gravura da Escola de Belas Artes e foi nesse tempo em que comecei a me interessar pela docência. Foi um feedback muito positivo por parte dos alunos que estudaram a disciplina nos meus tempos de monitor que me incentivaram a seguir por esta área. E eu gosto disso. Ser professor/educador na educação formal e não formal, ser professor/treinador de rugby. Essas funções me trazem um certo prazer, pois assim compartilho meu conhecimento com todos que se interessam por isso.
Hoje compreendo que isso só foi possível quando percebi que o conhecimento não é algo rígido, que serve apenas para uma coisa. Meus tempos na escola foram péssimos, e eu achava um local muito careta. E, de fato, falta muito para a escola ser um lugar agradável para os alunos e para o corpo docente. Viver uma cobrança por uma produtividade que não faz sentido. Fragmentar todas as etapas do saber e colocar em caixas separadas só faz crer que o tipo de ensino que temos hoje não vale a pena. O sistema de ensino parece se ligar em políticas de governo, e ignorar os atores que estão presentes no cotidiano das escolas. Hoje eu sou professor, mas tenho pavor de escola. Ontem eu fui um aluno, sem entender a função da escola.
Há um grande vão de experiências que me fizeram compreender a importância dos estudos e do compartilhamento de ideias e de práticas. Ás vezes eu acho que eu entendi isso tarde demais, que eu poderia ter aproveitado muito melhor se eu tivesse descoberto isso antes. Mas acho que cada um tem seu tempo, suas experiências. Em algum momento as coisas passam a fazer sentido, resta a nós seguir estudando nesta grande experiência chamada vida.
Diálogos com La Idea: CRIATIVIDADE!
Já deu uma olhada no que a Prisca faz para se manter criativa? Acesse o blog dela e veja com os próprios olhos!!!

Eu sou uma pessoa que gosta de muito de trocar (ideias, conhecimentos, informações irrelevantes, o que seja) e ao logo da minha caminhada tenho encontrado pessoas que estão na mesma sintonia de partilha, de trocas! O La Ideia, pros mais chegados o “Didi” é uma dessas pessoas que sempre me apoia como pode, seja curtindo minhas publicações, comentando ou me seguindo nas redes.
E tem um tempo que estamos trocando ideias vias postblogs ele escreve no blog dele e eu escrevo de cá. E já tem um tempo que eu fiquei responder um post dele sobre criatividade que ele fez no blog contando como ele faz para se manter criativo. E resolvi contar para você como eu faço para me manter criativa:
1 – Não tento inventar a roda: parece idiota essa fala, mas uma amiga me falou isso um dia e eu…
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