Mais uma xilogravura na área

Desde 2019 que eu estou trabalhando em uma matriz de xilogravura com a temática de imigração. Eu vi essa imagem de um cara pulando a cerca que separa Chiuhuahua do Texas nos idos de 2009, quando ainda assinada Le Monde Diplomatique. 3 anos depois eu fui morar nesse mesmo local, Ciudad Juárez, Chiuhuahua, México. É uma relação de cidade bifronteiriças e binacionais. Nunca tinha ouvido falar de relações deste tipo. Os habitantes passam e voltam a fronteira todos os dias, pois moram no México, trabalham nos estados Unidos, compram coisas nas duas cidades, se divertem nas duas cidades. É bizarro. É uma questão bem diferente se pensar nesse muro/cerca vergonhosos que foi construído ao longo do Rio Bravo, que divide os dois países.

Tardou muito tempo até que eu conseguisse concluir essa gravação. Ela tem detalhes precisos em apenas parte dela, mas a questão é que eu sempre deixava outras tarefas para serem feitas antes e sempre adiava a conclusão desta matriz.

A madeira utilizada foi um compensado de pau marfim, no tamanho um pouco maior que um A4. Utilizei basicamente goivas tipo faca, e usei goivas em V e em U para fazer pequenas incisões ou remover o fundo.

Movimentos migratórios sempre existiram e sempre existirão e não será um muro que irá eliminar esse processo. Mx/US, Ceuta, Palestina/Israel, Grande Muralha, Muro de Berlim, construções que trazem vergonha à humanidade.

Os vídeos com os processos de gravação e de impressão podem ser conferidos no canal de Youtube ou no IGTV do Instagram.

Placa de Madeira

Mais um desafio laboral. Uma placa para um senhor de 91 anos de idade que decidiu montar um engenho de cana de açúcar para fazer rapadura lá em Araçuaí. Utilizei duas tábuas de Cedrinho, e o tamanho total é de 120cm x 60cm.

Horas de trabalho que foram subestimadas pela minha pessoa. Muita dor na colunas, nos ombros e no antebraço, além dos inúmeros calos nas mãos.

O tio e o avô da minha esposa/companheira me ajudaram no processo. Eles tinham mais ferramentas, espaços e conhecimento com trabalhos deste tipo. A ajuda deles foi essencial para a conclusão e acabamento do trabalho.

Mas o resultado ficou bem legal. A madeira foi tratada com cera negra queimada, lixa e verniz.

Primeira Live no Insta

Hoje fiz minha primeira Live. Foi interessante, foi 1 hora com um processo de impressão de uma xilogravura, cuja matriz foi gravada já há algum tempo mas nunca foi impressa. Algumas pessoas assistiram, trocaram uma ideia, perguntaram sobre o processo, sobre dúvidas e foi bem interessante. Como foi a primeira, acho que algumas coisas ainda podem melhorar, hahahaha, mas foi um processo importante nesse tédio chamado isolamento social, hahaha.
A Live completa está disponível no IGTV do meu Instagram ou a seguir:

Pinturona com cenas de filmes

Pouco antes de iniciar o isolamento social em BH, minha querida amiga Fabi me encomendou um trabalho que seria um presente para o marido dela. Ela me passou algumas referências de cenas de filmes, e queria fazer um mosaico, ou algo parecido, com as cenas. Eu dei a ideia de pegar essas cenas e colocar todas no mesmo cenário, como se tudo estivesse acontecendo ao mesmo tempo. Eu tinha uma ideia de uma coisa meio “Onde está o Wally” em que cada cena seria descoberta em cada local do cenário. Pensei em fazer tudo digital, afinal sairia mais rápido e mais barato, mas conversando com ela chegamos a conclusão de que uma pintura seria bem melhor, mais personalizado, mais exclusivo, mais chique. Tudo combinado para iniciar o trabalho e tivemos que adiar a produção, porque faltava comprar tintas, pincéis novos e um painel, e as lojas todas estavam fechadas.

Depois de algum tempo, e com as lojas voltando a funcionar com sistema de entregas, decidi reabrir meu atelier e retomar meu trabalho. Consegui encomendar o painel no tamanho que eu precisava e consegui também algumas tintas (não consegui todas que eu queria porque a distribuidora não tava conseguindo entregar pras lojas). Dei início à pintura. Fiz várias marcações com lápis HB, iniciando com um gradeado de leve, e depois marcando as linhas que funcionariam como guia de perspectiva. Logo após, fiz aguadas de preto bem clarinho, bem diluído, para marcar onde iria cada elemento arquitetônico que eu tinha colocado no esboço. Também aproveitei para fazer uma aguada de azul no local onde ficaria o céu.

Depois de ter as marcações de aguada completamente secas, comecei a trabalhar com a tinta acrílica menos diluída ou pura, aplicando efeitos de pincéis em diversos lugares. Eu gastei muito tempo, talvez mais do que eu deveria gastar, trabalhando o fundo e o cenário. Dei uma caprichada em vários detalhes e tentei colocar várias habilidades em prática. Já faziam alguns meses que eu não pintava, e estava um pouco sem prática.

No meio do processo eu tive algumas questões com algumas limitações que eu tenho em relação à cor. Para mim, é muito difícil clarear/escurecer ou fazer uma passagem entre duas cores de forma suave. Eu consigo pensar o que pretendo fazer, mas quando tento materializar, sai de forma diferente e acaba ficando meio grosseiro. O uso do preto e do branco para criar alguns efeitos de luz e sombra não deu certo nesta pintura, sobretudo em detalhes minuciosos de rostos. No decorrer da pintura, minha esposa Natália me ajudou com algumas questões e chegamos a conclusão de que não fazer os rostos ficaria melhor. Como artista, é difícil compreender as limitações técnicas, pois sempre achamos que tudo é possível de alguma forma. Mas foi importante saber colocar um fim ao processo de pintura, abrir mão de algumas questões para ter outras. Neste caso, eu abri mão dos detalhes dos rostos para ter uma pintura mais delicada, menos grosseira.

Enfim, foi uma pintura cansativa, mas que me deu muito orgulho de fazer. Por ser daltônico, as pessoas dizem que eu costumo ser mais ousado na utilização das cores, e essa é uma característica que eu gosto. Ousadia. O processo foi paralisado em diversas ocasiões, tive que conciliar com outros trabalhos que estavam pendentes também e eu não poderia estar mais feliz.

Pintura finalizada

Acho que eu só tenho a agradecer à Fabi (e Fábio) pela confiança e pela paciência, à Nat, minha companheira, pelo diálogo e sugestões, e à todos que me apoiam de algum forma. O vídeo com o processo de produção pode ser conferido logo a seguir.

Esbarrando nas próprias limitações

Toda produção artística é um processo. Por vezes lento, por vezes doloroso, mas produzir e conseguir colocar um ponto final na obra é uma sensação indescritível. Ultimamente andei trabalhando em uma pintura acrílica para uma amiga, e me deparei com mais frustrações do que o normal. Minha falta de prática com pintura (fazia muitos anos que não pintava) me deu várias voadoras, e acabei esbarrando com várias questões que me incomodaram muito. Uma delas é o fato de ser daltônico, e isso me impede de conseguir perceber tonalidades e de clarear/escurecer cores. O daltonismo para mim nunca foi um problema, aceito muito bem essa deficiência e não me importo com essa questão quando produzo algo meu, que tem a ver comigo e que eu nem sei se será comercializado. Porém, foi uma questão bem pesada ao trabalhar nessa pintura, encomendada por esta amiga. Detalhes pequenos, que deveriam ser feitos trabalhando diferentes tonalidades da mesma cor, acabaram sendo deixados de lado. Foi uma alternativa na qual optei para não atrapalhar as imagens. Sombras e luzes de personagens e de cenas foram ignoradas e ficaram apenas símbolos e características onde se consegue perceber o que está acontecendo, porém sem muitos detalhes. Isso nunca me incomodou como incomodou nesta situação. Esbarrei em uma limitação genética, onde não consegui achar outras alternativas para resolução destas questões. Decidi colocar um ponto final pois não há onde mexer de forma que não atrapalhe todo o resto. Tive uma professora de pintura há 7 anos atrás que dizia que nós artistas deveríamos colocar um ponto final, antes de mexer demais e ter que resolver outras questões que antes não existiam. Eu nunca sei quando colocar esse ponto final, pois para mim sempre há algo em que eu devo mexer mais, talvez por isso eu Não possuo pinturas minhas em casa, pois me dá vontade de alterar todo o tempo. Ter colocado um ponto final nesse processo foi doloroso, minhas questões com a deficiência de enxergar cores e de não conseguir compreender com quais tonalidades estou trabalhando me incomodaram muito, pela primeira vez na vida. Mas acho que é melhor finalizar como está, e deixar o tempo cicatrizar essas questões antes de partir para a próxima.

Sobre dedicação à madeira

Uma das coisas que tenho sentido um pouco de falta nesses dias é o trabalho de entalhe na madeira. Produzir xilogravuras é algo que me agrada muito, e nesses tempos de pandemia, onde estou prestando muitos serviços, sobretudo, de serigrafia, tenho me dedicado pouco à xilogravura. Tenho planejado algumas aulas relacionadas a esta técnica, porém me falta tempo de planejamento. Isso sem contar os vários projetos que eu tenho, mas que ainda não pude executar.

Comecei a fazer uma série de xilogravuras que relaciona a música com o ativismo, porém não terminei e nem cheguei a imprimir a primeira matriz da série. Também pretendia criar vários cartazes em xilogravura destinados ao ambientes urbano, para intervir em diversos locais, mas também nem comecei as impressões.

Sobre o tema de imigração e a treta das fronteiras, tenho trabalhado em uma matriz de xilo utilizando a música “Cruzando la Frontera“do grupo de cumbia chamado “Fuga”. A primeira matriz, feita em pau-marfim, já está pronta, mas ainda falta a segunda matriz, que será feita em linóleo, e, da mesma forma que tudo que eu planejei fazer nessa pandemia, não tive tempo de dar continuidade.

Bom, de qualquer forma, acho que esse registro vale a pena, se o blog foi criado para colocar minhas questões profissionais e meus desejos em relação à isso, acho que estou no caminho certo. No mais, se tudo der certo, teremos muitas novidades com essa técnica.

Várias fases distintas

Em 2010 eu decidi ser artista. E isso implicou em diversos momentos de (mais) incertezas em relação às coisas que eu faço. 10 anos já se passaram e eu ainda sigo com dúvidas se sou artista. Nesse meio tempo eu estudei em 4 universidades (2 como intercambista), completei trocentas disciplinas, conheci muita gente, produzi muita coisa, e hoje me vejo com muito mais dúvidas em relação a essa escolha profissional. Eu, literalmente, amo produzir arte. Faço pinturas, gravuras, murais, ilustrações, estampas com um gosto e uma disposição que deixa muita gente impressionada. Mas não gosto de ser artista. Não gosto dessa obrigação bizarra de ter que transformar tudo o que faço em retorno financeiro. Acho que é até por isso que me dá vontade de largar essa produção autoral e tentar viver apenas de prestação de serviços. Produzir de forma comercial é um saco, é massante e tira todo o prazer de produzir. Isso me deixa deprimido, me faz questionar todo o tempo o que faço no meu atelier. Eu não consigo viver do que produzo (e, aparentemente, nunca conseguirei). É uma angústia terrível viver assim e não me encontrar nesse meio. Eu não tenho muita paciência para alguns tipos de eventos artísticos e seguramente não me vejo participando da maioria deles. Eu fico querendo mudar de área, conseguir trabalho fixo em algum local, mas também não dou certo tendo que cumprir esses horários e regras malucas das empresas.

Enfim, estou de saco cheio de ter que transformar minha produção autoral em dinheiro. E muitas vezes eu tenho certeza que estou muito aquém, em relação à outros artistas, quando presto serviço para terceiros. Eu queria dar um reset em tudo e poder fazer escolhas com mais calma, mas os compromissos da vida, contas, covid, não me deixam sair desse lugar. 2020 chegou de voadora em vários planos que eu tinha, nocauteou muito do meu ânimo, e eu sigo aqui no mesmo caminho que não me agrada.

Foi só um desabafo mesmo.

Tatuagem da velha escola

Não é nenhum segredo o fato de que as tattoos estilo Old School são as que mais me agradam. É incrível o fato do artista sintetizar vários elementos em traços, sobras e coloridos simples. Claro que existem diferentes níveis de detalhamentos, e cada artista acaba colocando características próprias nas suas criações, mas isso não deixa de ter um papel especial no meu gosto por tatuagens. O estilo Old School, também conhecido como tradicional americano, teve sua origem com o lendário artista Saylor Jerry que, alistado na Marina dos Estados Unidos, teve contato com as tatuagens orientais e após a sua “aposentadoria” passou a tatuar os próprios marinheiros no Hawaii, com temáticas presentes na vida destes e com equipamentos e cores que haviam disponíveis na época. Hoje é um estilo muito disseminado, com várias ramificações, mas o tatuador que trabalha com Old School sabe muito bem porque o faz, e deveria conhecer bem sua história e como fazer bem feito.

Essa ilustração é uma homenagem a esse primórdio das tatuagens tradicionais ocidentais, representando a vida dos marinheiros (que eu boto muita fé, apesar de ser contra o militarismo e as forças armadas). O pôster impresso em alta resolução pode ser adquirido na Loja Online.

Para esse texto, utilizei como referência esse artigo.

Pintura digital

Esses dias comecei a fazer uma composição em perspectiva para mostrar em uma de minhas aulas de desenho virtuais como funciona o processo. Eu gostei tanto da composição que decidi continuar desenhando, transformando o que era um esboço em uma pintura digital, feito com o aplicativo Pro Create. A imagem foi produzida com registros manuais ou no “olhômetro”, portanto, as linhas tortas ou côncavas se fazem presentes. Utilizar de proporções matemáticas e exatas não foi uma solução na qual eu quis trabalhar.

Foi bem massa esse processo mais longo de um meio digital, tentei fazer detalhes bem minuciosos, trazer elementos das cidades grandes, graffitis, pixações, stickers, edifícios, propagandas, antenas, etc. O processo de desenho e pintura foi bem longo mesmo, e logo após o esboço, eu comecei a aula de desenho, para algumas explicações sobre o processo. O time-lapse do vídeo pode ser visto no link abaixo.

Marshall “Major” Taylor

Essa ilustração foi feita para homenagear o grandioso ciclista Marshall Taylor (Major Taylor), que conseguiu bastante notoriedade nas provas mais duras do ciclismo na época, enfrentou e combateu o racismo estrutural (apartheid) existente na época, e conseguiu registrar seu nome na história tanto do esporte quanto na do movimento negro. Um exemplo a ser seguido e admirado. O racismo não acabou. No esporte, tanto amador como profissional, vemos casos de racismo até mesmo entre integrantes da mesma equipe. Em 1896, Major Taylor foi expulso das competições de ciclismo em Indiana, USA, por obter mais vitórias e melhor desempenho que os atletas brancos. Pouco mais de 100 anos se passaram, e ainda vemos casos de situações similares.

O pôster desta ilustração pode ser adquirido clicando aqui.

Capas de The Smiths

Revisitando antigas pinturas, não me lembro muito bem de quando essas foram produzidas. São reproduções de capas de álbum da banda The Smiths. Todas feitas com tintas acrílicas em painel de 20x20cm. Esses formatos pequenos me agradam bastante, sobretudo para treinar técnicas. Essa série de 4 pinturinhas estão todas na casa da minha irmã, que é fã de Smiths e Morrissey.

Conversando sobre processos e seus tempos

Eu sou uma pessoa lenta para a maioria dos projetos que eu começo a produzir. Conseguir terminar um quadro é um custo, e eu exerço toda a paciência do mundo para conseguir lidar com a tinta acrílica, espero secar, crio efeitos, e esse processo às vezes se alastra por meses, sobretudo se for uma pintura grande. Neste exato momento estou trabalhando com um painel de 110×70 cm, e enquanto esperava as aguadas secarem, pintei 3 quadros menores, de 20×20 cm.

Com gravura é a mesma coisa. Tardo muitos dias/semanas/meses para conseguir terminar uma gravação de uma matriz na madeira. O processo xilográfico para mim é bem lento, com muita concentração. Já demorei quase 1 ano para fazer uma única gravação, pois ficava dias sem dar continuação ao processo da cavucada.

Agora, me impressiona o o quanto sou rápido com gravação em linóleo e com pintura em aquarela. Não sei se são boas habilidades ou falta de paciência, rs, talvez uma mistura dos dois. Para o linóleo eu penso que é um material mais tranquilo de se trabalhar, que dá possibilidades mais objetivas. Para a aquarela, penso que é um conhecimento muito superficial que ainda tenho sobre a técnica, e talvez uma falta de paciência também. Minha migs Prisca Paes sempre diz que devemos ter paciência com a aquarela, seu tempo de secagem, sua forma de trabalho, e eu fico pensando porque eu insisto em tentar fazer rápido.

Coisas da vida de um artista, difícil explicar esses métodos. Mais fácil tentar exercitar novos hábitos de produção. Dar mais tempo ao tempo (muito clichê, mas tudo a ver).

Cansei do Coronavírus

Eu estou lidando muito mal com essa ideia que ficou conhecida como “o novo normal”. Usar máscara o tempo todo, seguir evitando aglomerações, não trombar com ninguém… Ahhhhhh. Que desespero essa situação. Já levamos 1 semestre de isolamento, paranóias, fake news e políticas incapazes de ajudar em algo. Brasil já passou dos 100.000 mortos, BH recém chegou aos 1.000 óbitos registrados (porque sabemos que os números são maiores), e não há previsões para o fim. Pode ser que hajam novas ondas, que retomemos isolamentos mais severos, e ainda tem muita história para acontecer nesse capítulo pandêmico.

Os médicos que ajudaram a combater a praga da Gripe Espanhola há 100 anos atrás possuíam várias teorias sobre a pandemia. As pessoas eram contaminadas pelo cheiro putrefato no imaginário popular e científico. A vestimenta dos médicos incluía uma máscara feita de madeira, com ervas na região do nariz, da respiração, para evitar o mau cheiro dos cadáveres. Durante, pelo menos, três anos a Gripe Espanhola seguiu ativa, contaminando e matando uma renca de gente através do globo. Minhas saudações à todos que ajudaram a combatê-la na época, e minhas saudações àqueles que tentam combater o Covid-19 hoje. Esse desenho é uma singela homenagem.

Revisitando pinturas

Andei dando uma olhada em pinturas que eu fiz há alguns anos. Fiquei muito tempo sem pintar, e durante a quarentena topei o desafio de agilizar alguns corres de pinturas. Essa é de 2014 ou 2015, não me lembro.

É impressionante o quanto alguns temas aparecem com frequência no que eu produzo. Muitas temáticas latinoamericanas, povos oprimidos, povos originários, lutas e movimentos sociais.

É algo que eu gosto de representar, e sei que há pessoas que se identificam comigo nessas temáticas.

Vejo essas pinturas de outrora e fico pensando nas coisas que poderia melhorar, nas técnicas que eu desenvolvi mais, no que faria diferente. É muito louco isso, né? Como as concepções alteram cada vez que você revisita algo.

Pinturas com acrílica

Aproveitando 3 telas de pinturas pequenas, de 20×20 cm, e várias fotos que tirei a partir de edifícios altos no Centro de BH, finalmente retomei minhas habilidades de pintar com tinta acrílica.
A ideia é representar essa cena comum na paisagem urbana Belorizontina, onde topos de prédios (rooftops) levam os nomes daqueles que ousaram escrever por ali, juntamente com essas antenas, emissoras e receptores das diferentes frequências oriundas de sinais diversos.

As pinturas podem ser adquiridas através da nossa Loja Online. O vídeo com parte do processo de produção de uma das pinturas pode ser visto a seguir. Saludos!

Sobre concluir as coisas que começo

Já tem um tempo que eu ando em uma bad produtiva. É uma sensação estranha, não dá vontade de produzir nada e eu acabei entrando em um looping de procrastinação de um nível absurdo. Ontem eu fiquei pensando sobre essa bad produtiva, e imaginei que ela é causada pelo medo. Não digo medo de algo concreto, nem medo de filmes de terror, mas é um medo de começar algo. Como assim?

Nessas últimas semanas eu fiquei com vários trabalhos sem conclusão. Não conseguia terminar, e a maioria eu custei para começar. Parece bobo dizer essas coisas, mas é uma questão que me atinge diretamente. Esse medo de começar ou continuar algo passa por uma ansiedade devida à falta de perspectiva (eu acho) no campo profissional. Já tem um tempo que ando buscando outras formas de ganhar dinheiro porque apenas como artista eu já entendi que não rola, pelo menos por enquanto. Andei buscando outras áreas pra me dedicar e conseguir colocar em prática meu conhecimento de vários campos, mas esse medo estranho me deixou meio paralisado, sem ganas de começar qualquer processo.

Hoje de manhã, enquanto dava aula online de desenho para um aluno/amigo, conversamos sobre processos, e sobre a importância de concluir as coisas. Eu olhei para o meu atelier, enxerguei 4 pinturas inacabadas, vários post-its de projetos/trabalhos faltando conclusão e alguns testes de impressão serigráfica na fila, apenas esperando a minha boa vontade.

Depois do almoço eu decidi que iria prosseguir com os trabalhos em andamento, mesmo sem vontade e sem disposição. Foi tiro e queda. Em uma tarde muito produtiva eu consegui dar continuidade à pintura grande (110×70 cm), e concluí 3 pinturas pequenas (20×20 cm). Além disso, concluí um projeto de estampa que vai virar camisa e pôster em breve e agora estou animado para lavar a pilha de louça suja que se acumulou na pia.

Vim aqui escrever isso porque só bastava 1 comentário pra me fazer refletir sobre esse medo bizarro e estranho de dar continuidade aos projetos. Justo eu, que prezo pelo processo muito mais que pelo resultado, me encontrei travado nesse mar de dúvidas.

E que importância teve essa ação de conclusão. Um dia muito produtivo.

Somatizando problemas

Nos últimos dias eu andei trabalhando para uma empresa, em caráter de teste mas com a ideia de ser contratado. Não tem nada a ver com as minhas habituais ocupações, mas eu estava disposto a isso em troca de um salário fixo, CLT, essas coisas.

Depois de quase 13 anos sem trabalhar formalmente, eu tinha esquecido de como é esse ambiente, em estar dentro de uma empresa e responder a demanda dela. Eu admiro muito quem veste a camisa da empresa e defende com unhas e dentes o seu empregador, mas é algo que, definitivamente, não é para mim. Talvez se fosse algo na área de arte/educação eu poderia defender e me orgulhar, ainda mais se for algo em que eu acredito que possam surgir/sugerir mudanças na sociedade, mas o local em que eu estou agora é uma empresa comum, com suas burocracias, métodos e bizarrices a pleno.

Depois de poucas dias de trabalho já estou somatizando várias questões. Minha bunda anda bem dolorida, pois no local eu não posso sentar-me, e ficar em pé tem me dado dores nas pernas e na região do tronco. O stress me deu uma dor debaixo do peito e palpitações só de lembrar das demandas do trabalho. E só de ouvir notificações de celular já estou surtando e dando uns piripaques. Isso não é legal. Tenho dormido mal, me alimentado mal (o almoço que eles oferecem é terrível) e me sentido mal o tempo todo. Volto pra casa cansado demais para qualquer tarefa, com o corpo dolorido e indisposição. Fazia muitos anos que eu não me sentia assim. Me incomoda muito ver as relações/explorações de trabalho a que as pessoas estão sujeitas, políticas empresariais, hierarquias…

Enfim, voltarei à minha vida de artista. Posso não conseguir rendimentos suficientes, mas é aqui onde me sinto bem, onde sei que posso fazer algo diferente, onde minhas relações/redes me agradam, onde eu posso correr atrás dos meus objetivos.

Vida longa à autonomia!

20 de agosto

Hoje eu saí com o cachorro para dar uma volta no quarteirão. Esqueci de usar máscara. Você não tem noção do tamanho do constrangimento que eu fiquei, mesmo não tendo ninguém na rua.

Prestação de serviços em serigrafia

Durante a quarentena tive a oportunidade de trabalhar como impressor serígrafo para dois artistas. Na real, os trabalhos eram para ser entregues antes da pandemia, mas o isolamento acabou atrapalhando um pouco meu processo.

O primeiro trabalho foi para o artista André Nicolau, que me procurou para fazer impressões de suas ilustrações, e parte foi para o Projeto Arte Pela Cesta, que trocava cestas básicas por arte e ajudava pessoas e comunidades em situação de carência e vulnerabilidade. A arte em si tava bem massa, a gravação ficou muito boa, mas eu tive um pouco de dificuldade com a mistura de cores pra poder imprimir, rs. Daniel de Carvalho, Natália e o próprio artista André Nicolau me auxiliaram nessa fabricação. O processo em time lapse bem como o resultado pode ser conferido no vídeo a seguir.

Por intermédio do Ricardo Reis Erre Erre, fiz essa impressão em três cores com a ilustração de B. Perini. Essa foi um desafio um pouco maior, pois tive que fazer alterações manuais no laser film que estava causando diferenças tonais e marcas que não deveriam haver. Filmes corrigidos, telas gravadas e 150 cópias em 3 cores (450 impressões, ufa). O processo em time lapse e o resultado da impressão pode ser conferido no vídeo a seguir.

Encontrei mais fotos do km 27

Depois de haver escrito o post anterior, fiquei buscando mais fotos destes dias de pintura. Consegui encontrar mais algumas fotos. Lembrando que o Centro Comunitário do km 27 ficava bem próximo de uma Casa, religiosa, que cuidava de várias crianças abandonadas e órfãs. Foi outro local que pintei. Apesar de não ser nada religioso, não me importei em pitar um Jesus Cristo e um escrito “Jesus” no muro externo da Casa. Ao que parecia, e não me lembro muito bem, o trabalho que eles faziam era bem daora.

O representante do projeto Jóvenes en Acción, Adán, foi o contato pra fazer essas pinturas. Foi por causa dele que eu participei do concurso, e foi por causa dele que fomos pintar esses murais nesse bairro longínquo.

Em Ciudad Juárez tive contato com muitas experiências interessantes, projetos incríveis, que tenta correr atrás do tempo perdido nessa onda de violência. Imagina que há muuuitos anos atrás existia uma cidade mexicana chama Paso del Norte, que ficava no meio do deserto e era um local de passagem e pousada para quem viajava ao norte ou ao Pacífico. Nos meados do século XIX os Estados Unidos tomou grande parte do território mexicano, e a cidade foi, literalmente, divida em duas, tendo o Rio Bravo, que antes cortava a cidade, como novo marco delimitador de fronteira internacional. Hoje, temos de um lado Ciudad Juárez (que durante muitos anos ganhou o título de cidade mais violenta do mundo fora de zona de guerra), e do outro lado do rio temos El Paso (a cidade mais segura dos estados Unidos). Grande contradição, não é?